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Cheias ou Enchentes?

 

Rua General Osório e ao fundo a Jerônimo Gonçalves

“As águas invadiram ruas, avenidas, casas e lojas causando grandes prejuízos à população”. Assim começou o noticiário regional prometendo dar ampla cobertura sobre as enchentes ocorridas no início da semana.

 

Mas antes de comentar os fatos, vamos aos conceitos. No movimento ambientalista definimos por cheia aquele fenômeno cujas águas fluviais (águas dos rios) somam-se às águas pluviais (águas das chuvas) e, devido ao excesso acumulado, freqüentemente unindo-se a outros motivos, transbordam da calha normal dos rios provocando alagamentos às regiões circunvizinhas. Essas regiões comumente chamamos de várzeas.

 

A natureza “criou” a várzea como área destinada ao excedente de água que surge de tempos em tempos com as chuvas, por vezes propiciando um ecossistema próprio de várzeas alagadiças. Fauna e flora se adaptam a esse meio dando prosseguimento ao imprescindível ciclo da vida. Portanto, cheia não passa de um fenômeno natural e necessário à continuidade da vida.

 

Por outro lado, enchente se dá quando reservatórios naturais de água, no caso as várzeas, são ocupados irresponsavelmente por ruas, prédios, avenidas e outros tipos de construções que além de impermeabilizarem o solo, impedindo o escoamento natural das águas, ainda expulsam e matam os habitantes - animais e vegetais - que até então viviam naquelas localidades.

 

Portanto o conceito de enchente deve ser aplicado às inundações cuja origem está na intervenção do homem no meio ambiente causando danos às populações.

 

Por conseguinte, enchente é sinônimo de destruição e morte. Logo, enchente e cheia acabam tendo definições diametralmente opostas quanto às relacionamos com a questão vida.

 

Feito essa rápida conceitualização, voltamos os fatos: Na segunda do dia 20 de dezembro de 2004, a cidade de Ribeirão Preto amanheceu alagada. Lama, desespero, dor e destruição sinalizavam que a cidade não se preparou para a intensa chuva que desaguou.

 

As águas tomam ruas e construções, famílias inteiras foram desalojadas. O trânsito pára no centro da cidade. Comerciantes lavam, limpam e tentam reestruturar seus estabelecimentos, posteriormente contabilizando seus prejuízos. O prefeito municipal decreta estado de calamidade pública. A defesa civil não dá conta do trabalho diante das inúmeras ocorrências. Os córregos vomitam águas barrentas. Órgãos públicos também são afetados. Praças e jardins ficam encharcados. Os sonhos de uma dona de casa escoam pela enxurrada. Imagens trágicas e espetaculares vão ao ar.

 

A euforia do natal cede lugar à tristeza. O clima é de revolta e desilusão. O ribeirão-pretano, de forma direta ou indireta, é atingido pela inundação, afogando sua alegria na fragilidade daquela situação. Casas são violadas pelas torrentes das águas. Nem mesmo muros resistem a força da natureza. A correnteza leva sonhos, adentrando nas privacidades. Submergem esperanças. Móveis e utensílios domésticos chafurdam na lama. As águas ocupam lares sem pedir permissão.

 

Tudo isso o noticiário abordou. É entristecedor.

 

Entretanto fica uma pergunta: Quem invadiu quem?

 

Marcelo Botosso*
*Historiador e membro do NESA (Núcleo de Educação Sócio-Ambiental) - Dez/04


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Maicon
  Profissao: Empresario Em: 2010-03-01 14:01:24 E-mail: - maiconrbp@gmail.com
Comentários:
Muito bom toda historia das enchentes porem acho que o texto foi infeliz por não colocar datas nas fotos, acho que seria de extrema importancia para todos que ver esse artigo.
Abraços
Maicon

Responder para: Maicon

Silvia Sanches de Oliveira
  Profissao: Arquiteta e urbanista Em: 2009-12-13 04:35:21 E-mail: - Sanchesdeoliveira@gmail.com
Comentários:
Texto direto e esclarecedor. A cidade nasceu e cresceu desordenadamente. Muitas de suas partes fenecem na mesma proporção.
Lamentável a falta de planejamento.

Responder para: Silvia Sanches de Oliveira

Manoel da Ilso Morais
  Profissao: Arquiteto Em: 2009-12-12 10:06:33 E-mail: - ney@yahoo.com.br
Comentários:
Talvez um dia o homem compreenda que ele faz parte de um todo; precisa respeitar o todo.

Responder para: Manoel da Ilso Morais

Flávio Gouvea
  Profissao: Engenheiro Ambiental Em: 2009-10-22 19:45:47 E-mail: - enggouv@hotmail.com
Comentários:
Excelente texto. Não conheço Ribeirão Preto, mas o grande problema das enchentes é - como bem disse o historiador - a ocupação das várzeas. Elas são áreas naturais de inundação e não deveriam ser ocupadas. Eis o resultado.

Responder para: Flávio Gouvea

ANTONIO DE LUCAS SILVEIRA
  Profissao: EMPRESÁRIO Em: 2009-10-05 00:15:26 E-mail: -
Comentários:
LAMENTÁVELMENTE NOTAMOS DURANTES TODOS ESTES ANOS, A FALTA DE UMA SOLUÇÃO DEFINITIVA PARA O PROBLEMA DAS ENCHENTES NA BAIXADA. TUDO QUE FOI FEITO FOI PARA AMENIZAR E NÃO SOLUCIONAR. O PROBLEMA COMEÇOU NO PASSADO, POR FALTA DE RESPEITO AS LEIS DO PLANETA. COMO SEMPRE O HOMEM INVADE, O QUE É DE DIREITO DA NATUREZA!!!

Responder para: ANTONIO DE LUCAS SILVEIRA

Carlos Cesar Ferreira
  Profissao: comerciante Em: 2009-10-02 12:07:01 E-mail: - cesarf@yahoo.com.br
Comentários:
Parece que sem dúvidas, a não observancia as leis elementares da natureza leva o homem a um processo de perdas constante.

Esta hitoria de enchentes, nesta região já acontece desde a fundação da cidade.

Hoje se diz que estas enchentes ocorre principalmente pela impermealização do solo, decorrente dos cimentados, calçamentos etc..

Como podem dizer isso se desde o ínicio da cidade, estas echentes acontecem?

Responder para: Carlos Cesar Ferreira

Hernane Felicio Morais
  Profissao: Administrador Em: 2009-10-02 11:36:54 E-mail: - hfmorais@hotmail.com
Comentários:
Esta claro para mim, que tudo isso só está acontecendo pela irresponsabilidade e indiciplina do homem (nossos governantes) que insistem na realização de obras sem o devído planejamento; e principalmente sem o devido respeito às leis naturais. Quem sabe um dia, pelo sofrimento ele passe a respeitar mais estas leis...Até lá, tome sofrimento...

Responder para: Hernane Felicio Morais


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