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Leite Lopes, em Ribeirão Preto, terá que desapropriar para expansão desalojando mais cerca de 16 mil pessoas.
De um lado o desenvolvimento econômico, de outro a questão social, em meio essa polêmica que se desenvolve o projeto de ampliação do Aeroporto Leite Lopes em Ribeirão Preto. Se a internacionalização do aeroporto incita o avanço econômico da cidade e de toda região, também pode demolir aproximadamente 8 mil moradias.
A ampliação do Leite Lopes foi confirmada pela Secretaria Estadual de Transportes em agosto desse ano, e desde então, moradores de bairros próximos ao aeroporto estão preocupados em ter que deixar suas propriedades. O relatório das obras, administradas pelo Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo), aponta áreas de desapropriação em 14 bairros, removendo cerca de 16 mil habitantes, uma população equivalente à da cidade de São Simão, região de Ribeirão Preto.
Na etapa inicial das obras está prevista a ampliação da pista, que de 2,1 passará a ter 2,4 mil metros de extensão. Para isso, as casas que estão em um raio de 915 mil metros quadrados, nas laterais do aeroporto, teriam de ser desocupadas para atender a legislação ambiental, pois estão localizadas no chamado "raio de curva de nível de ruído". O diretor do departamento de Urbanismo da Secretaria de Planejamento e Gestão Ambiental, José Aníbal Laguna diz que, por enquanto, nada está definido. "Tudo depende da aprovação do Relatório de Impacto Ambiental e de Vizinhança, até agora temos apenas estimativas da equipe". Mas garante "Certamente não serão desapropriados bairros inteiros".
Para manifestar contra a expansão do Leite Lopes, alguns moradores dos bairros Vila Hípica e Jardim Aeroporto criaram o movimento "Fora Aeroporto Internacional", e se recusam a abandonar suas casas, "É uma vida que a gente tem construída aqui, lutamos durante anos para ter nossa moradia, e agora teremos que simplesmente abandoná-la", diz o cabeleireiro Ruy Gabriel da Silva, que mora há 18 anos na Vila Hípica e é presidente do movimento."Dizem que essa expansão vai gerar cerca de dois mil empregos, mas não pensam que mais de 16 mil pessoas vão ter que sair de suas casas", compara.
Silva afirma que não há uma pesquisa exata, e que desapropriar os imóveis será complicado "É difícil o que eles querem, porque a maioria das casas não tem planta e nem ‘habite-se’". Segundo o líder do movimento, as indenizações seriam pagas pelo metro quadrado do terreno, outro ponto de insatisfação dos moradores. Segundo Silva o valor destinado às desapropriações não será suficiente para a compra de outro imóvel. "Cada morador receberá aproximadamente 7 mil reais, nada comparado ao valor real e sentimental de nossas casas".
Segundo Laguna o valor total destinado às obras é aproximadamente 90 milhões. "As informações que temos é que será destinado no mínimo 45 milhões para as desapropriações". Laguna acrescenta que o município vai dar total atenção aos movimentos dos moradores. "Todos os movimentos são válidos, e a gente entende e respeita".
O urbanista Francisco Gimenez diz que o processo de desapropriação é delicado. "É uma situação complicada, pois além da questão econômica, existe o vínculo emocional das pessoas com suas casas". Francisco destaca que a possibilidade de construir outro aeroporto em cidades da região é válida "Os custos seriam maiores, mas o impacto social seria menor".
O projeto também prevê a construção de um terminal alfandegário, que tem como principal objetivo estimular as exportações da região. "A internacionalização vai fazer de Ribeirão uma liderança econômica", afirma a economista Rosalinda Chedian Pimentel. Empresas de Ribeirão Preto e região esperam o terminal para transferir os embarques e desembarques de produtos do comércio exterior. "Esse projeto trará motivação às empresas da região, mas já deveria ser sido aprovado há mais tempo", comenta Rosalinda. Em 7 de junho de 2003 a Tead (Terminais Aduaneiros do Brasil), venceu uma licitação feita pelo Governo Estadual e assinou contrato para a construção do terminal, mas uma liminar concedida pela Justiça à Promotoria do Meio Ambiente impediu o início das obras.
Ribeirão Preto é o coração de uma região com mais de 80 cidades e 4 milhões de habitantes, de janeiro a julho deste ano, o aeroporto Leite Lopes movimentou 137,3 mil passageiros e 485,6 toneladas de carga. "Ribeirão é um pólo econômico e tem uma localização favorável. A ampliação do aeroporto proporcionará um ganho muito grande, mas infelizmente alguns pagam por isso", conclui Rosalinda se referindo às desapropriações. O urbanista Francisco Gimenez não acredita que esse ganho será para todos. "É um projeto oportunista, que beneficia empresários. É o capital que se impõe sobre a população", afirma.
AGE/UNAERP
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