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 Fila de espera para o passado.

Gazeta de Ribeirão

03/01/2010


Edifício Diederichsen Pelo menos 50 pessoas aguardam uma vaga para apartamento.


A movimentação do Edifício Diederichsen, prédio histórico da região Central de Ribeirão Preto, revela que o local tem retomado a boa forma. Todas as 118 salas comerciais do primeiro e do segundo andar estão ocupadas e a fila de espera por um dos 64 apartamentos do quarto andar tem cerca de 50 pessoas.


O hotel, que funcionava no quinto andar e foi desativado em 2007, deve ser reinaugurado ano que vem, e os 34 quartos foram todos equipados com ar-condicionado, frigobar, TV e internet. A revitalização começou há dois anos, quando a Santa Casa, instituição que herdou o edifício, contratou um administrador para o prédio.


A boa gestão somada a localização privilegiada, bons preços de aluguel e perspectiva de restauro deram vida nova ao Diederichsen. "É o edifício mais famoso do Interior do Estado e os preços são um grande atrativo", disse o administrador do prédio, José Spósito.


A atendente Renata Calore, 28, que está há um mês no edifício e esperou um ano pelo apartamento, disse que o diferencial do Diederichsen é a segurança e o ambiente familiar (raridades nessa região da cidade). "Além disso, é no Centro da cidade e tem um preço bom, o que ajuda muito. E vai ficar lindo depois do restauro", afirmou Renata.


Na parte térrea, onde ficam algumas das lojas mais tradicionais da cidade, como a cafeteria Única e a Caprichosa Modas, apenas o antigo cinema, que está locado para um bingo, permanece desativado. No sexto e último andar, opera uma academia de ioga e um grupo de teatro.


Dentro do prédio as atividades são variadas: há de cabeleireiro a loja de lingerie, passando por dentistas e vendedores de ouro. O empresário José Carlos Magalhães, 49, que montou no edifício um Disk-Salada de Fruta há um ano, estranhou o estilo do prédio no começo, mas já se acostumou e pretende conquistar em breve um espaço no andar térreo.


Já o alfaiate Walter Feloni, o Alemão, 72, está há 51 anos no prédio e disse que o número de profissionais liberais no local diminuiu, mas o movimento geral aumentou. "Jamais sairia daqui, (o Diederichsen) faz parte da minha vida", afirmou Alemão.


Aluguel sai por R$ 226


O Diederichsen, construído em 1936, foi o primeiro prédio do Interior do Estado e o segundo do País. O edifício, tombado em 2005 pelo Estado, integra as construções-símbolo do auge da produção cafeeira e foi sede da primeira choperia Pinguim, cujo espaço foi vendido este ano para uma loja de calçados.


O restauro da fachada, previsto para o ano que vem, foi orçado em R$ 590 mil e, segundo o coordenador do projeto, Cláudio Baúso, aguarda aprovação do conselho estadual de patrimônio. O prédio tem 4 mil metros quadrados e, além da restauração de portas, e janelas, ganhará novos elevadores e iluminação após a obra.


O aluguel de sala dentro do edifício custa R$ 160 (já com condomínio), enquanto uma loja na rua gira em torno de R$ 4 mil. Um apartamento de um quarto no Diederichsen sai por R$ 226, com água e condomínio, e as diárias no novo hotel ainda não tiveram preço anunciado. (DC)


Grande Hotel Diederichsen pode abrir as portas neste mês


O Diederichsen abrigou entre 1937 e 1950 um dos mais importantes e inovadores hotéis do interior paulista: o Grande Hotel Gallucci. Primeiro a ter água quente encanada e restaurante (cujos cardápios eram traduzidos para seis línguas), o local hospedou políticos como o presidente Getúlio Vargas e o governador Adhemar de Barros, além da nata dos fazendeiros e industriais do País.


"Era cinco estrelas com categoria extra e teria no terraço um bar-confeitaria ao ar livre, mas a água infiltrava e foi preciso tampar", contou Bruno Gallucci, 86 anos, filho do primeiro proprietário, Giuliano Gallucci. italiano como o pai, Bruno morou no Diederichsen dos 4 anos aos 17 anos e, há seis anos, voltou a viver no prédio. "Passei 13 ótimos anos da juventude aqui e agora encontrei descanso."


O Hotel foi vendido outras vezes depois da gestão Gallucci e foi fechado em 1970. Ainda neste mês, o novo proprietário deve reabrir a atividade do prédio mais charmoso da cidade sob o nome de Grande Hotel Diederichsen. (DC)




DANIELLE CASTRO


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