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 Imigração pela culatra

Gazeta de Ribeirão

04/07/2010


Habitação irregular Pelo menos 20% dos moradores das favelas de Ribeirão são imigrantes; núcleos aumentaram nos últimos anos.


Das 20 mil pessoas assentadas irregularmente em terrenos públicos e particulares de Ribeirão Preto, 20% (cerca de 4 mil) são imigrantes, que vieram à região em busca de trabalho. Os dados são do último senso habitacional feito, no início do ano, pela Companhia Habitacional de Ribeirão Preto (Cohab-RP).


Segundo o presidente da Cohab-RP, Rodrigo Arenas, a estatística preocupa. Para ele, o aumento do número de ocupações, que pulou, em três anos, de 34 para 43 núcleos de favelas, está a atrelado às oportunidades de trabalho oferecidas pela construção civil. “ Grande parte das pessoas chegam do Norte (do País) para trabalhar e acabam morando em favelas.” A Prefeitura iniciou no ano passado o congelamento populacional de 5.688 moradias espalhadas pela cidade. As famílias relacionadas automaticamente foram cadastradas em programas habitacionais.


Arenas afirmou que a notícia de cadastramento aumentou a população flutuante da cidade nos últimos tempos. “Muitas pessoas começaram a se mudar para Ribeirão com a ilusão de ser beneficiadas com os incentivos.” De acordo com a Cohab, apenas moradores cadastrados no Censo Habitacional, feito pela companhia, serão transferidos a casas populares. Outra medida adotada pela Prefeitura prevê somente o cadastramento de pessoas residentes há mais de três anos em Ribeirão.


Para o coordenado do Moradia Legal, o juiz da 2ª Vara de Fazenda Pública João Gandini, as medidas de contenção do crescimento populacional em favelas devem ser precisos no que diz respeito ao controle de novas ocupações. “Se a gente não instaurar formas de controle mais rígidos, a Cohab e o Moradia Legal vão enxugar gelo”, disse.


Há seis meses, cinco de 29 famílias moradoras do Jardim Aeroporto não foram realocadas pela Prefeitura por terem invadido a área após a realização do Plano Local de Habitação. Até agora, a Cohab cadastrou 30 mil pessoas em busca da casa própria, sendo que 17 mil recebem de zero a três salários mínimos.


Pedreiro tenta voltar à Bahia


O pedreiro Edson Reis da Paz, que espera aposentadoria por invalidez após ter se acidentado há quatro anos, enquanto trabalhava, planeja voltar para Vitória da Conquista (BA), de onde veio com os pais, há 30 anos. Edson faz parte dos 4 mil imigrantes que vivem em ocupações irregulares, segundo a Cohab. O morador da favela da Vila Norte contraria a estatística ao voltar para o Nordeste, enquanto o aumento da chamada população flutuante cresce constantemente. A média de imigrantes morando em favelas, em 2007, quando foi feita a penúltima aferição, era de 2 mil pessoas, a metade do quadro atual. “A ilusão de morar em Ribeirão acaba quando você se vê sem ter onde morar”, disse Edson. “Desaconselho todos a vir para cá porque as coisas mudaram muito nos últimos anos.” Morador da favela da Via Norte, Reginaldo Marques disse acreditar em uma vida melhor daquela que deixou em Maceió (AL). “Não temos trabalho lá. Aqui, mesmo na favela, a gente vive melhor.” (LC)


 






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